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Tem pagode na Disney

18/02/2010 Tem pagode na Disney

Diogo Nogueira fez samba de primeira com o tema do filme "A pequena sereia"

Quando foi criado nos anos 1940, o personagem Zé Carioca tinha um objetivo econômico e outro ideológico. O papagaio era uma ponte para o mercado em crescimento e fazia parte do esforço conduzido pelos EUA na América Latina, na chamada “política de boa vizinhança”.

No entanto, Walt Disney criou um tipo que, até pelo nome dos filmes que protagonizou, tinha origem meio “samba do crioulo doido”: quando cantava parecia mambo, o ritmo era de salsa, dançava como se fosse mexicano e suas produções se chamavam originalmente Saludo amigos! (Alô amigos!, 1942) e The three caballeros (Você já foi à Bahia?, de 1944).

Os filmes traziam alguns momentos marcantes, como a apresentação do Brasil ao Pato Donald por Zé Carioca e a mistura de animação com atores reais.

Mas o que ficou mesmo foram as canções. Nessa época, os Estados Unidos descobriram que Dorival Caymmi e Ary Barroso eram os tais, puseram Carmen e Aurora Miranda na tela e tornaram canções como Aquarela do Brasil, Na Baixa do Sapateiro e Você já foi à Bahia? sucessos internacionais.

Chega agora ao mercado um álbum duplo (CD e DVD) que retoma essa história com roupagem mais atual. Disney adventures in samba reuniu as canções brasileiras dos filmes em novas leituras. Para criar uma via de mão dupla, deu às canções de filmes como Pinóquio, A Bela e a Fera, A pequena sereia e Rei Leão versões em ritmo de samba e choro.

O resultado é curioso e, muitas vezes, divertido.
No caso das músicas brasileiras, Alexandre Pires interpreta Aquarela do Brasil de um jeito para americano ouvir; Daniela Mercury está um tanto afetada com sua leitura bilíngue de Na Baixa do Sapateiro; e Leci Brandão acerta no ritmo e no tom de Tico-tico no fubá.

O melhor fica para as versões. Diogo Nogueira transforma Aqui no mar, de A pequena sereia, num samba que não precisa forçar nada para soar autêntico; o grupo de pagode Molejo cria alegre e debochada leitura do clássico Eu vou, de A Branca de Neve e os sete anões; e Ana Costa diverte com um tema de Mary Poppins, o impronunciável Supercalifragilisticexpialidoso.

Para completar, vem a única inédita do disco: Pagode na Disney, com Arlindo Cruz brincando com os personagens dos gibis.
O disco tem ainda Casuarina, Exaltasamba, Martinho da Vila, Jorge Aragão, Dudu Nobre e Alcione.

O DVD que completa o álbum traz as cenas completas da apresentação das canções brasileiras nos filmes Alô, amigos!, Você já foi à Bahia e Tempo de melodia. O produto chega ao mercado em duas versões, a completa (com CD e DVD) e apenas o CD com 14 canções.

No final, fica a sensação de empate: o samba perde um pouquinho quando traduzido para a dura forma americana de compreender o rebolado; as canções de filmes feitas para emocionar, quando chegam ao mundo do pagode, ficam bem menos grandiosas, mesmo que ganhem em leveza e graça.

Disney era bom de cinema, o Brasil bom de samba. O casamento foi bacana, mas não valorizou o melhor dos dois mundos.

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